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sexta-feira, 16 de julho de 2010

João do Rio em samba de enredo do Império


João das Ruas do Rio (2010)
Império Serrano (RJ)
Composição: Marcelo Ramos, Henrique Hoffmann, Paulinho Valença, Willian Black e Popeye

Vou levar meu samba por aí
Passando pelas ruas
Feliz da vida
Saindo da Misericórdia onde tudo começou
Mistura de raças, a diversidade
No Largo do paço, a primeira cidade
Um encontro com a riqueza de culturas
Julieta na janela esperando seu amor
Pelas ruas do João do Rio
Chegando ao cais a força do estivador

Vem que o Império te leva
Vem recitar poesias em canções
E nos boulevares e vielas
Vem ouvir o canto das favelas

Tem santo pra tudo
É a fé como escudo
Me amparo na lança do Santo Guerreiro
Livros e jornais, pintores geniais
Revistas, cantores e artistas
Ah! E nas ruas do Centro o Carnaval
Cordões, mais um show de alegria
Hoje flanelinhas, ambulantes camelôs
Cenário natural do dia a dia

Numa explosão de emoção
É verde-e-branco essa paixão
É um caso sério
E na Serrinha ecoa a voz de uma nação que diz:
Sou Império!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Não é só falar de seca"


Orós 2
(João Do Vale)


Quase acabava meu mundo
Quando o Orós impanzinô
Se rebentasse matava
Tudo que a gente plantô
Se não é seca é enchente
Ai, ai, como somo sofredô

Eu só queria saber
O que foi que o Norte fez
Pra vivê nesse pená
Todo nortista é devoto
Não se deita sem rezar

Se não é seca, é enchente, dotô
Que explicação me dá ?
Se o sulista se zangá
Dele eu não tiro a razão
Lá vem a mesma cunversa
Ou ajuda teu irmão
É triste um caboclo forte, dotô,
Ter que estender a mão

Não é só falar de seca
Não tem só seca no sertão ...

domingo, 30 de maio de 2010

Que trilha!

Com a morte de Dennis Hopper, não posso deixar de destacar uma cena de "o Selvagem da Motocicleta" do Coppola, em que Denis Hooper, Mat Dillon e Michey Rourke etão sentados na mesa do bar. Além das cenas "expressionistas" incríveis.

Mas queria destacar a trilha do filme "Easy Rider". É impressionante:


Lado A
1. "The Pusher" (Hoyt Axton) – Steppenwolf - 5:49
2. "Born To Be Wild" (Mars Bonfire) – Steppenwolf - 3:37
3. "The Weight" (Robbie Robertson) – Smith - 4:34
4. "Wasn't Born to Follow" (Carole King/Gerry Goffin) – The Byrds - 2:03
5. "If You Want to Be a Bird (Bird Song)" (Antonia Duren) - The Holy Modal

Lado B
1. "Don't Bogart Me" (Elliot Ingber/Larry Wagner) – Fraternity of Man - 3:05
2. "If 6 Was 9" (Jimi Hendrix) – The Jimi Hendrix Experienced - 5:35
3. "Kyrie Eleison/Mardi Gras" (When the Saints) – (Tradicional, arranjo de David Axelrod) - The Electric Prunes 4:00
4. "It's Alright Ma (I'm Only Bleeding)" (Bob Dylan) - Roger McGuinn – 3:39
5. "Ballad of Easy Rider" (Roger McGuinn/Bob Dylan) – Roger McGuinn - 2:14
Do "Rock na Vitrola"

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Programa de rádio "Tempos da Adversidade" a sociedade na música entre 1964 e 1979: colagens sonoras.


Depois de algum tempo, acho que vou conseguir disponibilizar um programa de radio produzido em 2004 para a Rádio Gazeta Universitária em 2004: "Tempos da Adversidade" (um trocadilho com as palavras "adversidade" e "diversidade"). Foram realizados sete programas. Trata-se de uma colagem sonora, centrada, particularmente, nas músicas do perído que vai de 1964 (O Golpe) a 1979 (Abertura).

A vinheta de abertura usa a música "Pipoca Moderna" de Caetano Veloso. "Pipoca aqui, ali, pipoca além. Desanoitece a manhã. Tudo mudou."
Parecia um ótimo início.

Jogamos com a idéia de um Brasil em transe, inspirados no Glauber Rocha, e completamos, ironicamente, com a idéia de ser o único programa para ser ouvido somente até à abertura. A diversidade da expressão musical brasileira no período foi incrível. Diversos mundos musicais se entrecruzavam em meio à repressão e à ordem ditatorial. Jorge Ben cria "País Tropical" que pode ser considerada uma música "alienada" e "Cosa Nostra" em que descreve todo o pessoal do Pasquim.

As vinhetas intermediárias têm "Chão, pó, poeira" de Gonzaguinha. A vinheta final é "Clube da Esquina" de Milton e Lô e Márcio Borges.

Começamos com "Legalidade" de Juca Chaves, uma irônica análise de personagens envolvidos no retorno do regime presidencialista com Jango. A música de 1963.

Depois temos registros sonoros das tropas do 2º Exército a caminho do golpe, a tentativa de resistência no Sul com Leonel Brizola e a declaração de vacância da presidência da República pelo presidente da Câmara, Ranieri Mazzili.

Segue "Chove chuva" de Jorge Ben (hoje, Jorge Benjor)

Temos "Cavalo Ferro" de Fagner e Ricardo Bezerra. Apresentamos um Fagner que poucos jovens conheceram. Ele fazia parte de um movimento conhecido como o "pessoal do Ceará" com Ednardo, Belchior, Mona Gadela e outros. Havia uma rivalidade entre os cearenses e os baianos, representados por Caetano, Gil e outros. No programa, na apresentação dos créditos ficou "Cavalo de Ferro", mas o correto é "Cavalo Ferro", mesmo. O trabalho de pesquisa e produção foi muito corrido e alguns erros apareceram. Sempre que possível vamos indicá-los.

Segue Gilberto Gil com a sua "Back in Bahia" e Walter Franco, considerado um compositor "maldito" (ao lado de Jards Macalé e Jorge Mautner), com a sua "Lindo Blue".


O registro sonoro que aparece no final do primeiro bloco é da peça "Liberdade, Liberdade" de Flávio Rangel.

O segundo bloco começa com o show "Banquete dos Mendigos", organizado por Jards Macalé no Rio em 1973 ( o disco só foi liberado em 1979). Conta com a apresentação do MPB-4 com composições de Paulo César Pinheiro e Marcelo Tapajós ("Pesadelo") - , seguida com Chico Buarque ("Quando o Carnaval Chegar", "Bom conselho" e "Jorge maravilha". Ver o blog Cantina do Rock. Você deve estar pensando o porquê de um show de MPB estar em um blog de rock. É que Raul Seixas cantou 'Cachorro Urubu" nesse show. A música aparece em outro programa do Tempos da Adversidade.

Para finalizar, Roberto Carlos e a propaganda da Shell e sua "gasosa com ICA" .

No terceiro bloco, abre a linda "Cinema Olympia' de Caetano Veloso, com Elis Regina. O universo do cinema, o espírito da matinês, está aqui.

PUBLICAÇÃO NO SITE DA RÁDIO UNIVERSITÁRIA
Tempos da Adversidade estréia na Rádio Universitária
Por Rodolfo Albiero,
Editor do site de Cultura
http://www.facasper.com.br/cultura/site/noticia.php?tabela=&id=120


Nesta quinta-feira, dia 1º, a Rádio Gazeta AM Universitária estréia o programa Tempos da Adversidade. A produção é uma parceria entre a emissora e a Coordenadoria de Cultura Geral. "Dentro da temática dos 40 anos do golpe, procuramos fazer um levantamento da sociedade brasileira por meio da música", afirma o coordenador de Cultura Geral Liráucio Girardi Júnior, idealizador do projeto.

Tempos é uma série de sete programas que irá ao ar diariamente, das 23h à 0h. A Rádio Gazeta Universitária é sintonizada na freqüência AM 890 Khz. "O programa não pretende ser didático. É um exercício sonoro, de contrastes e aproximações. As músicas, por exemplo, não seguem uma ordem cronológica", explica Girardi.

O nome da atração programa explora o jogo de palavras entre diversidade e adversidade. A intenção é lembrar os momentos difíceis da ditadura e, ao mesmo tempo, recordar a pluralidade do período.

Tempos da Adversidade foi produzido pelos estudantes Biancamaria Binazzi e Fábio Cacossi, da Rádio Universitária e contou com a colaboração dos alunos Emanuel Bonfim, Afonso Capellaro, Lendro Cacossi e Daniela Dias.

Geraldo Vandré, Ronnie Von, Cartola, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Nara Leão, Gonzaguinha, Gilberto Gil, Waldick Soriano, Adoniran Barbosa, Elis Regina, Belchior, Wilson Simonal são alguns dos cantores selecionados. Tempos também trará registros sonoros da época, como discursos, poemas, trechos de peças teatrais, jingles e prefixos de rádio.

O coordenador da Rádio Universitária Pedro Vaz acredita que o programa é uma proposta de discussão da nossa história e não apenas saudosismo. "Os cantores e compositores usavam a música não só como denúncia e protesto, mas também como um meio de alertar a população para fatos que ocorriam na época". Vaz acrescenta que os ouvintes poderão encontrar pontos em comum daquele período com a atualidade.

Tempos da Adversidade
Rádio Gazeta AM Universitária – AM 890 Khz
Estréia: quinta-feira, 1º/04
Horário: 23h às 0h

terça-feira, 21 de julho de 2009

As perfomances nos anos 70 e as flash mobs - homenagem a Michael Jackson

As flash mobs lembram muito as performances nas ruas nos anos 70. Outro espírito? Outros tempos? "networked perfomances"? As "smart mobs" do Rheingold seriam possíveis a respeito de qualquer tema de interesse dos cidadãos?
Essa flah mob fala ds novas tecnologias, mas fala também da convergência digital. O interessante é que se trata de um astro do mundo monológico das velhas mídias... Outros tempos, outras redes, agora, recombinadas.
Uma arte para "jovens". Um mundo para "jovens".

terça-feira, 14 de julho de 2009

vinilariando!

Era domingo...
Olhei para o amplificador Polivox na prateleira e a pick-up Gradiente TS-515...
Resolvi fazer os monstros analógicos ganharem vida. Temia pelo pior... que os anos em que foram deixados no canto pudessem ter feito mal a eles...
Não pelo lado físico, se me entendem, mas pelo lado sentimental ...
Quebrei a cabeça com alguns cabos estragados e com um bom jeitinho brasileiro, a coisa rolou.... Um chiado aqui, uns tapinhas no aparelho ali (já tinha até esquecido desse recurso estético-analógico)...
Quatro caixas de som... desviadas de um home t. quebrado...
E não é que uma coisa estranha rolou....
E eu me pego achando aquele som muito mais lindo do que imaginava. Não havia registro daquela sonoridade na minha memória afetiva- musical.
Outra coisa! Levantei dezenas de vezes para trocar o disco. Nem me lembrava dessa ginástica estética. Passar de música é uma coisa física. Não tem essa de apertar botão.
Retomei a arte de colocar a agulha no começo do disco com o dedo...ahcar o início das faixas (chega a ser ridículo, falando assim). Quantas emoções... A textura das capas e dos encartes, o plástico e o cheiro de coisa guardada (pra te dar um sentimento de culpa).
Mergulhei nos meus discos antigos, encostados... mas inteiros. Fiz a seleção especial para a volta. Um udigrudi sonoro:
1. Disco "Raimundo Fagner" de 1976... "Com A se escreve amor e arma, com B se escreve bola e bala, com C se escreve céu e cela..."
2. "Dark side of the moon" Pink Floyd. "Breathe, breathe in the air.
Don't be afraid to care. "
3. Gerry Mulligan e Chet Baker no Carnegie Hall. Um disco apresentado pelo meu irmão com o Ademir da Guia do trompete. Desculpem-me a liberdade de expressão. "There will never be another you" - precisa falar algo.
4. Laurie Anderson em "Mister Heartbreak" destaco "kokoku" apresentado por um amigo de trabalho na compensação de um banco. Era o mais alternativo dos compensadores de bancos do mundo.
5. Tom Waits. "Rain Dogs" - "dowtown train" e "rain dog"
6. Este, finalmente, foi impressionante. Marco Antonio Araújo com "Animal Racional". Especialmente as músicas "floydiana" e "quando a sorte te solta um cisne na noite". Comprei esse disco em 1986 na época das Diretas, Já!
Não sou nostálgico, nem luto pela volta do vinil. Acho que isso já está superado. Cada um no seu quadrado e pronto... Mas esse som do vinil encheu a sala de um jeito ...
Dá vontade de citar a letra do Hermínio Bello de Carvalho: "Nem sei se essa beleza de que lhes falo, vem tão somente do meu coração"

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Com as fortes chuvas no Nordeste e Norte do país, cabe resgatar essa música do grande compositor maranhense, João do Vale. Essa música foi gravada no disco "Raimundo Fagner 1982", um Fagner que muitos desconhecem.

Orós 2
João do Vale

Não é só fala de seca
Não tem só seca no sertão
Quase acabava meu mundo
Quando o Orós impanzinô
Se rebentasse matava
Tudo que a gente plantô

Se não é seca é enchente
Ai, ai, como somo sofredô
Eu só queria saber
O que foi que o Norte fez
Pra vivê nesse pená
Todo nortista é devoto
Não se deita sem rezar

Se não é seca, é enchente, dotô
Que explicação me dá ?
Se o sulista se zangá
Dele eu não tiro a razão
Lá vem a mesma cunversa
Ou ajuda teu irmão
É triste um caboclo forte, dotô,
Ter que estender a mão

Não é só falar de seca
Não tem só seca no sertão ...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ao povo em forma de arte

Ao povo em forma de arte
(Nei Lopes e Wilson Moreira)


Quilombo, pesquisou suas raízes
Nos momentos mais felizes
De uma raça singular, e veio
Pra mostrar esta pesquisa
Na ocasião precisa
Em forma de arte popular, a mais...

A mais de quarenta mil anos atrás
A arte negra já resplandecia
Mas tarde a Etiópia milenar
Sua cultura até o Egito estendia
Daí o legendário mundo grego
A todo negro de etíope chamou
Depois vieram reinos suntuosos
De nível cultural superior
Que hoje são lembranças de um passado
Que a força da ambição exterminou
Que hoje são lembranças de um passado
Que a força da ambição exterminou

Em toda cultura nacional
Na arte, até mesmo na ciência
O modo africano de viver
Exerceu grande influência
O negro brasileiro
Apesar de tempos infelizes
Lutou, viveu, morreu e se integrou
Sem abandonar suas raízes
Por isso o quilombo desfila
Devolvendo em seu estandarte
A histórias de suas origens
Ao povo em forma de arte.

quarta-feira, 4 de março de 2009

A música dos bits

Irineu Franco Perpétuo e Sérgio Amadeu da Silveri (eds). O Futuro da Música depois da morte do CD. São Paulo: Momento editorial, 2009
Mais uma dica de lançamento de livro pelo Creative Commons. Acesso on-line disponível.

Sumário
Introdução
Irineu Franco Perpetuo..................................................... 7
O impacto da tecnologia na cadeia da música: novas
oportunidades para o setor independente
João Leão e Davi Nakano.......................................................... 11
A música na época de sua reprodutibilidade digital
Sergio Amadeu da Silveira........................................................ 27
O CD Morreu? Viva o vinil!
Simone Pereira de Sá................................................... 49
O MP3 e o fim da ditadura do álbum comercial
Alice Tomaz de Carvalho e Riverson Rios................................... 75
Fãs-usuários-produtores: uma análise das conexões
musicais nas plataformas sociais MySpace e Last.fm
Adriana Amaral................................................................. 91
O impacto das novas tecnologias sobre o estudo de piano
Eduardo Monteiro................................................................. 107
O valor da música
Andre Stangl e Reinaldo Pamponet Filho.............................. 117
Música Antiga e mídias modernas
Ricardo Bernardes............................................................. 133
A criação musical erudita e a evolução das mídias: dos antigos 78rpms à era pós-CD
Harry Crowl.............................................................. 143 “Cordel da banda larga”: a canção de Gilberto Gil e as perspectivas da sociedade em rede
Laan Mendes de Barros................................................ 159
E agora, o que eu faço do meu disco?
Pena Schimidt..........................................................175
Mudança dos ventos à vista
Chico Pinheiro............................................................ 193
Em meio à música
André Mehmari...................................................... 207
Sobre os autores...................................................... 217

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

"Download " coletânea sobre Blogs : "'cause i'm free.."

Blogs.Com
Estudos sobre Blogs e Comunicação

Raquel Recuero, Adri Amaral e Sandra Montardo.

Para download acessar o blog Media Social da Raquel Recuero

'Cause I'm free to do what I want any old time (I'm a new creation)
'Cause I'm free to do what I want any old time
(Don't be afraid of your freedom)
'Cause I'm free to do what I want
To be what I want any old time
I said I'm free to be who I choose
To get my booze any old time (Soup Dragons - I'm Free)

letrasdemusicas.com.br Esta letra foi retirada do site www.letrasdemusicas.com.br

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Palestina, bloody, Palestina

Considero definitiva a análise de Rami G. Khouri sobre os conflitos na Palestina:
" O problema central, no curto prazo, tem sido o desejo israelense de tomar decisões unilaterias que afirmem seu controle da situação, sem dialogar com o poder crescente do Hamas e dos islâmicos e nacinalistas palestinos aliados a ele.
Israel ocupou Gaza em 1967, colonizou-a unilateralmente, brutalizou-a unilateralmente, depauperou-a unilateralmente, retirou-se dela unilateralmente, cercou-a unilateralmente e agora atacou e declarou cessar-fogo unilateralmente. Cada ação dessas de Israel falhou em alcançar suas metas - o mesmo deve ocorrer agora." (Folha de S. Paulo, 19/01/2008 "Unilateralismo é o prenúncio de novo embate"

Escolheu, unilateralmente, Abbas como interlocutor...

Sei que há uma história que justifica isto. Foi assim que Israel sobreviveu e assim que aprendeu a lidar com seus inimigos árabes que queriam destruí-lo. Mas a Palestina é um caso diferente... é uma luta de libertação... com todos os "problemas" e "particularidades" que lutas desse tipo trazem.

Como enfrentar isso com uma guerra em que os civis não podem fugir. Uma guerra sem refugiados. Encurralados como gado...

Sei que é estranho meter Jesus neste território, mas vale pela música do U2 sobre a ação da Inglaterra no enfrentamento com o IRA, na Irlanda, que era considerado um grupo terrorista:

Sunday, Bloody Sunday
U2


Composição: U2

I can't believe the news today
I can't close my eyes and make it go away.
How long, how long must we sing this song?
How long, how long?
'Cos tonight
We can be as one, tonight.

Broken bottles under children's feet
Bodies strewn across the dead-end street.
But I won't heed the battle call
It puts my back up, puts my back up against the wall.
(...)
And the battle's just begun
There's many lost, but tell me who has won?
The trenches dug within our hearts
And mothers, children, brothers, sisters
Torn apart.

Sunday, bloody Sunday.
Sunday, bloody Sunday.

How long, how long must we sing this song?
How long, how long?
'Cause tonight
We can be as one, tonight.
Sunday, bloody Sunday.
Sunday, bloody Sunday.

Wipe the tears from your eyes
Wipe your tears away.
I'll wipe your tears away.
I'll wipe your tears away.
I'll wipe your bloodshot eyes.
Sunday, bloody Sunday.
Sunday, bloody Sunday.

And it's true we are immune
When fact is fiction and TV reality.
And today the millions cry
We eat and drink while tomorrow they die.

The real battle just begun
To claim the victory Jesus won
On...

Sunday, bloody Sunday
Sunday, bloody Sunday.


Sobre o Domingo Sangrento (1972)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

coisas, som, sentidos

As Coisas
(Arnaldo Antunes e Gilberto Gil)


as coisas têm peso, massa, volume
tamanho, tempo, forma, cor
posição, textura, duração
densidade, cheiro, valor
consistência, profundidade
contorno, temperatura, função
aparência, preço, destino e idade
sentido
as coisas não têm paz
as coisas não têm paz
as coisas não têm paz
as coisas não têm paz

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Enxugo as platinelas...

Muito bom o "Samba de Rainha". "Deixo o sereno me pegar. Enxugo as platinelas..." Essa foi demais! Não deixe de desligar o rádio (no quadradinho ao lado) para ouvir o clip.



Au Revoir
(Aidée Cristina/Núbia Maciel)

Eu sou da noite
Dos olhos de aquarela
Se a lua cheia me banhar
Eu vou pra noite, au revoir
Deixo o sereno me pegar
Enxugo as platinelas
Se o azul negro me chamar
É lá vai ela!

Não que eu apronte aqui
Muito mais do que ninguém
Nem que eu mereça cinto, fivela ou mesmo uma auréola também
E chovem as estrelas sobre o mar
Eu vou pra noite, meu amor, au revoir
Eu sou da noite!

Que é que tem?
Sou assim
Quem falou que vou me molhar?
Todo tempo da noite é pequeno
E quem foi que falou que eu vou escorregar?
E chovem as estrelas sobre o mar
Eu vou pra noite, meu amor, au revoir!
Eu sou da noite!

Get Beck, Get Beck to where you once belonged

Para ouvir o clip do Beck, você precisa desligar o rádio ao lado. No quadradinho.



Nobody's fault but my own
(Beck)

treated you like a rusty blade
a throwaway from an open grave
cut you loose from a chain gang and let you go
and on the day you said it's true
some love holds, some gets used
tried to tell you i never knew
it could be so sweet
who could ever be so cruel,
blame the devil for the things you do
its such a selfish way to lose
the way you lose these wasted Blues these wasted Blues

tell me that it's nobody's fault
nobody's fault
but my own
that it's nobody's fault
nobody's fault
but my own

when the moon is a counterfeit
better find the one that fits
better find the one that lights
the way for you

when the road is full of nails,
garbage pails and darkened jails
and their tongues are full of heartless tales
that drain on you
who would ever notice you
you fade into a shaded room
it's such a selfish lose
the way you lose these wasted blues, these wasted blues

tell me that it's nobody's fault
nobody's fault
but my own
tell me that it's nobody's fault
nobody's fault
but my own tell me that it's nobody's fault
nobody's fault
but my own tell me that it's nobody's fault
nobody's fault
but my own

tell me that it's nobody's fault
nobody's fault
but my own
tell me that it's nobody's fault
nobody's fault
but my own...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Todo cambia...

Não sei se já ouviram ou conhecem Mercedes Sosa.
Essa música é incrível, mas parece dizer pouco para os dias de hoje.
Ou, talvez... não?!
O finalzinho, com a Mercedes levantando, é muito lindo!


Todo cambia (Julio Numhauser) canta Mercedes Sosa (clique no link)
"Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo

Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
De mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo
Cambia el sentir un amante

Cambia el rumbo el caminante
Aúnque esto le cause daño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Cambia el sol en su carrera
Cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste
De verde en la primavera

Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
Por mas lejo que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor
De mi pueblo y de mi gente

Lo que cambió ayer
Tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo
En esta tierra lejana

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Pero no cambia mi amor...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Chico Buarque e a teoria da comunicação

A Televisão
Chico Buarque


Composição: Chico Buarque

O homem da rua
Fica só por teimosia
Não encontra companhia
Mas prá casa não vai não
Em casa a roda já mudou
Que a moda muda
A roda é triste
A roda é muda
Em volta lá da televisão...

No céu a lua
Surge grande e muito prosa
Dá uma volta graciosa
Pra chamar as atenções
O homem da rua
Que da lua está distante
Por ser nego bem falante
Fala só com seus botões...

O homem da rua
Com seu tamborim calado
Já pode esperar sentado
Sua escola não vem não
A sua gente
Está aprendendo humildemente
Um batuque diferente
Que vem lá da televisão...

No céu a lua
Que não estava no programa
Cheia e nua, chega e chama
Prá mostrar evoluções
O homem da rua
Não percebe o seu chamego
E por falta doutro nego
Samba só com seus botões...

Os namorados
Já dispensam seu namoro
Quem quer riso
Quem quer choro
Não faz mais esforço não
E a própria vida
Ainda vai sentar sentida
Vendo a vida mais vivida
Que vem lá da televisão...

O homem da rua
Por ser nego conformado
Deixa a lua ali de lado
E vai ligar os seus botões
No céu a lua
Encabulada e já minguando
Numa nuvem se ocultando
Vai de volta pros sertões...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Assim Não, Zambi!

Lendo a matéria abaixo, lembrei desta música do Martinho da Vila, interpretada por Clementina de Jesus.
A luta em apoio ao Dr. Joaquim Ribeiro Filho e equipe contou com uma rede física e virtual em nome da justiça. Mas nem todos podem ou puderam contar com ela.
Indico a leitura do caso Bar Bodega (o caso é de 1996, mas saiu em livro do Carlos Dorneles em 2007)
ASSIM NÃO ZAMBI (Martinho da Vila)
Interpretação de Clementina de Jesus

Quando eu morrer
Vou bater lá na porta do ceu
E vou falar pra São Pedro
Que ninguém quer essa vida cruel
Eu não quero essa vida assim não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi

Eu não quero as crianças roubando
As véinhas esmolando uma xepa na feira
Eu não quero esse medo estampado
Na cara duns nego sem eira nem beira

Abre as cadeias
pros inocentes
Dá liberdade pros homens de opinião
Quando um nego tá morto de fome
Um outro não tem o que comer
Quando o nego tá num pau-de-arara
Tem nego pensando num outro sofrer

Eu não quero essa vida assim não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi

Quando eu morrer
Vou bater lá na porta do céu
E vou falar pra São Pedro
Eu não quero essa vida cruel
Eu não quero essa vida assim não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi

Deus é Pai, Deus é filho, Espírito Santo é Zambi
Eu não quero essa vida assim não Zambi
Clementina é filha de Zambi
Eu não quero essa vida assim não Zambi
Ninguem quer essa vida assim não Zambi

In: MARTINHO DA VILA . "Terreiro, Sala e Salão 110.0020
RCA Victor.1979

Esta parte final da música é falada:
"Ô Zâmbi, vê se manda parar com aquelas brigas lá no morro.
Quando os homens chega, chutando as porta e revirando tudo,
todo mundo fica assustado e a criançada com aqueles olhos
arregalados, o coração saindo pela boca.
Ai! Meu Deus. A tal de lei de invasão de domicílio, lá no
morro, não vale nada.
Ah! Zâmbi quer ver (????) outra coisa:
Vê se clareia a cabeça da minha gente lá do morro. Para eles
pararem de tanta cachaçada, maconha e briga. Devagar, tá
legal.
Mas quando os nego estão doido, dão tiro à toa à toa.
E quando eles inventam de brincar de bandido?
É o de baixo atacando o de cima, o da direita atacando o da
esquerda.
E o pior é que ninguém é da direita nem da esquerda.
É todo mundo do mesmo morro.
É a miséria brigando com o miserê.

Agenda do samba & choro

03/09/2008 - 08h12
Maníaco de Guarulhos (SP) confessa crime pelo qual 3 estão presos há 2 anos


ANDRÉ CARAMANTE
da Folha de S.Paulo

Renato Correia de Brito, 24, William César de Brito Silva, 28, e Wagner Conceição da Silva, 25, estão presos desde agosto de 2006 sob a acusação de terem violentado sexualmente e assassinado Vanessa Batista de Freitas, 22. Os três sempre disseram à Justiça que só confessaram o crime porque foram torturados por policiais.

Os três rapazes afirmam terem sido torturados em uma região despovoada de Guarulhos e no 1º Distrito Policial da cidade com sacos plásticos, gás de pimenta, choques elétricos, socos, tapas e pontapés.

Tanto que, na próxima semana, estava previsto que eles deveriam ir para o banco dos réus do Tribunal do Júri para serem julgados pela morte de Vanessa, ex-companheira de Renato.

A situação jurídica de Renato, William e Wagner começou a mudar na noite de sexta-feira passada, quando Leandro Basílio Rodrigues, 19, chamado pela polícia de "maníaco de Guarulhos", confessou com detalhes ao delegado Jackson Cesar Batista que havia matado Vanessa em um matagal do Jardim Alice, periferia de Guarulhos.

A partir da confissão de Rodrigues, o promotor Marcelo Alexandre de Oliveira, o mesmo que havia denunciado os três à Justiça pelo crime, pediu ao juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano, do Tribunal do Júri de Guarulhos, para revogar a prisão preventiva dos três acusados. O juiz acolheu o pedido de Oliveira e os três deverão ser soltos ainda na manhã de hoje. (...)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Senhora da Glória - uma declaração de amor a Clementina de Jesus

Uma das mais lindas poesias e melodias dedicadas a alguém. Nesse caso à rainha Quelé, Clementina de Jesus.

Senhora da Glória
(Rildo Hora/Hermínio Bello de Carvalho)

Achei que era Nossa Senhora
Nossa Senhora da Glória
Na hora foi o que eu pensei
e um Padre Nosso num terço rezei

Cantava que nem rouxinol
E era mais linda que um pôr de sol
Pedi suas bençãos e me ajoelhei
- seus pés beijei

Então lhe estendi oferendas
Incensos e mirras e rendas
E ela me abençõu
e a voz africana no chão ecoou

Num baticum ouviu-se Benguelê
Oh Mãe Quelé, me diz cadê você?
Pra donde que foi você?
se é que se foi

Eu já ouvi o Rum batê com o Lé
e o rumpi com o batucajé
Minha mãe, cadê você?

Ao ter a visão milagrosa
da Glória era Nossa Senhora
Eu na Verde-e-Rosa pensei
(De ti na Mangueira de pronto lembrei)
E ali a Taberna da Glória
Passava esse enredo, contava essa história
Confesso a vocês que na hora chorei
como chorei!

E a santa desceu do Outeiro
Baixou do altar num luzeiro
E em meu coração se instalou
E em porta-bandeira se transformou

E me embalou que nem Jesus Cristinho
Me agasalhou nem fora seu filhinho
Num torço de rendas seu (me adormeceu)

Teu mestre-sala sou e te agradeço
E a Mangueira, meu divino berço
Oh Senhora, mãe de Deus!