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terça-feira, 25 de maio de 2010

Rede de Comunidades e Movimentos contra a violência

Carta aberta
Contra a criminalização dos movimentos sociais
Pelo direito de ir e vir


Desde o fim do regime militar e com o chamado processo de redemocratização, nos anos 1980, uma série de mudanças (pontuais, importante ressaltar) se iniciaria no Brasil. Esperava-se que a efervescência política daquele período produziria um novo formato institucional e social. Houve, sem dúvida, avanços institucionais, consubstanciados pela Constituição de 1988, embora as transformações sociais que se faziam necessárias tenham ficado pelo caminho.

A Constituição, como o resultado de intensas disputas, incorporou diversas demandas dos movimentos sociais e de outras organizações da sociedade civil. Inclusive aquelas referentes aos direitos humanos num sentido amplo do termo, bem como em seu significado mais estrito, isto é, aquele que se refere ao direito à vida, à liberdade, do ir e vir. Contudo, determinadas práticas institucionais, especialmente aquelas associadas às instituições de segurança pública, insistiram em persistir, e o pior, em se reproduzirem.

Além disso, a permanência da violência institucionalizada (que implica na produção em massa de mortes, tortura, seqüestro e outros crimes contra a integridade física) contou com a anuência e justificativa dos governos eleitos a partir daquele momento. O estado do Rio de Janeiro se tornou um exemplo às avessas deste processo. Diante do crescimento da violência urbana, especialmente aquela ligada ao tráfico de drogas e armas, e das dificuldades em enfrentá-la, a alternativa eleita foi a da “guerra ao tráfico”, que encontrou na política do enfrentamento direto com os grupos armados de traficantes sua forma de ser, transformando-se cada vez mais em uma política de extermínio. Define as favelas como o lócus do crime e seus moradores como potencialmente criminosos, tratando a todos como bandidos.

Isto não deixou de ter efeitos trágicos: centenas de pessoas passaram a morrer pelas mãos dos agentes de segurança pública. A partir disso, diversas organizações de direitos humanos começaram a questionar tal política e também passaram a ser atacadas por isso. Seus militantes, principalmente aqueles que moram em favelas e que tiveram algum parente assassinado por policiais, tornaram-se alvo dessa violência institucionalizada. As denúncias freqüentes de arbitrariedades e mortes injustas começaram a incomodar.

No último dia 6 de maio, o militante da Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência, Josilmar Macário, sofreu um atentado quando estava dirigindo seu táxi no viaduto São Sebastião, próximo ao Sambódromo, no bairro do Catumbi. Josilmar é irmão de Josenildo dos Santos, assassinado por policiais militares do 1° Batalhão, em abril de 2009. Desde então, seus familiares, amigos e a Rede contra Violência iniciaram uma luta por justiça. Esta levaria à denúncia de quatro PMs por homicídio. Essa vitória da família de Josenildo e da comunidade parece ter irritado os policiais do 1° BPM, levando-os a tentar uma represália.

Após o atentado, foi realizado o registro de ocorrência na delegacia, não sem dificuldades, visto que o delegado não queria registrar o caso como sendo um atentado. Foi feito também exame de perícia confirmando que o que atingiu o carro fora uma bala desferida por alguma arma de fogo. Em seguida, o fato foi encaminhado para uma reunião em que estava presente o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos e o secretário da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos.

Neste encontro, seria sugerido pelo ministro que o militante em questão fosse encaminhado para o Programa Nacional de Defesa dos Defensores. Todavia, descumprindo esta orientação, a secretaria estadual pretendia colocá-lo no Programa de Proteção a Testemunha (PROVITA), o que foi rechaçado pela Rede e por Josilmar Macário, por considerarem que este programa anula a vida do vitimada, tornando-o um foragido, apesar do crime ter sido cometido contra ele. Neste sentido, a Rede contra Violência e outras organizações de direitos humanos do Rio de Janeiro reivindicam que:

* O governo (federal e estadual) inclua Josilmar Macário imediatamente no Programa Nacional de Defesa dos Defensores e não em outro.
* A secretaria de Segurança Pública e o governador afastem imediatamente os policiais envolvidos no caso da morte de Josenildo dos Santos, irmão de Macário, e provavelmente os responsáveis pelo atentado, além da exigência de uma investigação rigorosa dos policiais (inclusive comando) do 1º Batalhão. A liberdade destes agentes tem representado uma constante ameaça a Macário e a todos os seus familiares.
* Cessem imediatamente a perseguição aos militantes de direitos humanos no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil.
* Sejam alteradas as políticas de segurança pública baseadas no confronto, no enfrentamento e no extermínio.

(Site da rede de comunidades e movimentos contra a violência)

domingo, 23 de maio de 2010

O Rio "civiliza-se" reloaded

O Rio já viu esse tipo de tratamento antes. Existem construções de luxo em situação irregular no Rio. O choque de ordem recairá sobre eles? E será feito da mesma forma? Deveriam ser feitos da mesma forma?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Nota Pública contra ações da Polícia Federal em Rádios Comunitárias

Nos últimos meses temos recebido notícias de uso desproporcional da força por parte de agentes da Policia Federal e de agentes da Anatel no ato do fechamento de algumas Rádios Comunitárias, o último relato vem da cidade de Bauru, quando em 15/04/2010 ocorreu o fechamento da Rádio Comunitária Mais FM, a qual assim como outras rádios vítimas deste tipo de intervenção participam de aviso de habilitação, em que pleiteiam junto ao Ministério das Comunicações autorização para prestar o serviço, conforme exige legislação vigente, porém, aguardam indefinidamente resposta deste órgão quanto à outorga para a prestação do serviço.

Não é demais lembrar que referidas ações da polícia e da Anatel se baseiam no fato das rádios não estarem autorizadas pelo Ministério, porém, referidas ações se esquecem que qualquer intervenção deve ter como base a Constituição Federal a qual veda qualquer tipo de abuso de poder e autoridade, uso desproporcional de força ou qualquer medida que fira a dignidade humana, bem como exige a observância do devido processo legal, ou seja, ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante", "a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra, da casa, da correspondência, das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas e da imagem das pessoas", "ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente", "inadmissibilidade, no processo, das provas obtidas por meio ilícitos", "não culpabilidade até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória", "publicidade dos atos processuais", "direito ao silêncio", direito ao contraditório (paridade de armas, a defesa se pronunciar sempre depois da acusação), a garantia da ampla defesa (defesa técnica e autodefesa), o duplo grau de jurisdição, a proibição das provas ilícitas, etc.

As rádios comunitárias surgem com uma das formas de dar acesso a todos ao Direito Fundamental à Comunicação, visa permitir a difusão de idéias, cultura, tradições e hábitos sociais das comunidades, estimular a integração de grupos, difundir o lazer, a cultura e o convívio social, prestar serviços de utilidade pública, entre outras finalidades que permitem o exercício do direito a expressão e ao pensamento livre, através da participação dos membros da comunidade trazendo questões, discussões e informações que não seriam divulgadas em rádios comerciais.

O serviço de radiodifusão comunitária é destinado a entidades comunitárias constituídas como associação ou fundação que reúnam os moradores e representantes da comunidade, autorizadas pelo Ministério das Comunicações.

Há diversas críticas à legislação vigente com relação aos procedimentos para autorização da prestação deste tipo de serviço de radiodifusão e, na I Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro de 2009 em Brasília, foi assinada por representantes do Ministério da Comunicação, da Secretaria Geral da Presidência da República e da Secretaria de Comunicação Social uma Carta de Intenções que apóia, entre outras, as seguintes propostas:

- Criação da Subsecretaria de Radiodifusão Comunitária;

- Agilidade na tramitação dos processos com realização de concurso público para contração de servidores para o setor responsável pelo licenciamento das emissoras comunitárias;

- Realização de mutirão com o intuito de colocar em dia os processos que estão em tramitação no Ministério das Comunicações;

- Possibilidade de adequação as exigências técnicas e legais;

- Revogação da legislação que considera crime a operação de emissoras sem a autorização;

- Aumento do número de canais destinados às emissoras comunitárias, com a alocação de, no mínimo, três canais na faixa de 88 a 108 MHz[1].

NÓS, cidadãos e entidades que lutamos pela democratização da comunicação e seus meios, manifestamos nosso repúdio a qualquer intervenção ou atuação de agentes do poder público que, a pretexto de fazer cumprir a lei, se utilizam de ações ilegais, como violação de domicílio e apreensão de bens sem o devido mandado judicial, bem como fazem uso de força desproporcional à situação, criminalizando pessoas e instituições interessadas em promover a difusão de idéias e a participação comunitária em assuntos e questões de interesse local.

Frente Paulista pelo Direito a Comunicação e Liberdade de Expressão

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Palestina, bloody, Palestina

Considero definitiva a análise de Rami G. Khouri sobre os conflitos na Palestina:
" O problema central, no curto prazo, tem sido o desejo israelense de tomar decisões unilaterias que afirmem seu controle da situação, sem dialogar com o poder crescente do Hamas e dos islâmicos e nacinalistas palestinos aliados a ele.
Israel ocupou Gaza em 1967, colonizou-a unilateralmente, brutalizou-a unilateralmente, depauperou-a unilateralmente, retirou-se dela unilateralmente, cercou-a unilateralmente e agora atacou e declarou cessar-fogo unilateralmente. Cada ação dessas de Israel falhou em alcançar suas metas - o mesmo deve ocorrer agora." (Folha de S. Paulo, 19/01/2008 "Unilateralismo é o prenúncio de novo embate"

Escolheu, unilateralmente, Abbas como interlocutor...

Sei que há uma história que justifica isto. Foi assim que Israel sobreviveu e assim que aprendeu a lidar com seus inimigos árabes que queriam destruí-lo. Mas a Palestina é um caso diferente... é uma luta de libertação... com todos os "problemas" e "particularidades" que lutas desse tipo trazem.

Como enfrentar isso com uma guerra em que os civis não podem fugir. Uma guerra sem refugiados. Encurralados como gado...

Sei que é estranho meter Jesus neste território, mas vale pela música do U2 sobre a ação da Inglaterra no enfrentamento com o IRA, na Irlanda, que era considerado um grupo terrorista:

Sunday, Bloody Sunday
U2


Composição: U2

I can't believe the news today
I can't close my eyes and make it go away.
How long, how long must we sing this song?
How long, how long?
'Cos tonight
We can be as one, tonight.

Broken bottles under children's feet
Bodies strewn across the dead-end street.
But I won't heed the battle call
It puts my back up, puts my back up against the wall.
(...)
And the battle's just begun
There's many lost, but tell me who has won?
The trenches dug within our hearts
And mothers, children, brothers, sisters
Torn apart.

Sunday, bloody Sunday.
Sunday, bloody Sunday.

How long, how long must we sing this song?
How long, how long?
'Cause tonight
We can be as one, tonight.
Sunday, bloody Sunday.
Sunday, bloody Sunday.

Wipe the tears from your eyes
Wipe your tears away.
I'll wipe your tears away.
I'll wipe your tears away.
I'll wipe your bloodshot eyes.
Sunday, bloody Sunday.
Sunday, bloody Sunday.

And it's true we are immune
When fact is fiction and TV reality.
And today the millions cry
We eat and drink while tomorrow they die.

The real battle just begun
To claim the victory Jesus won
On...

Sunday, bloody Sunday
Sunday, bloody Sunday.


Sobre o Domingo Sangrento (1972)

Esfera pública ...

Folha de São Paulo

19/01/2009 - 12h06
Software israelense manobra opiniões na internet

DIÓGENES MUNIZ
editor de Informática da Folha Online

Nem só de caças F-16 e mísseis teleguiados são feitos os ataques israelenses em Gaza. Uma arma em específico se destacou pela eficiência apresentada desde a escalada do conflito --e continuará sendo usada, mesmo após o cessar-fogo. Ela age nos bastidores da internet, modificando resultados de enquetes on-line, entupindo caixas de e-mails de autoridades e ajudando a protestar contra notícias desfavoráveis à comunidade israelense.

O nome da ferramenta é Megaphone, um software desenvolvido pela companhia Collactive e distribuído pela organização Giyus ("mobilização" em hebraico, mas também sigla para "Give Israel Your United Support" ou "Dê a Israel seu apoio integrado", em tradução livre). O programa serve para mobilizar internautas pelo mundo dispostos a manobrar ("balancear", segundo os usuários) opiniões na rede.

Desenvolvido em 2006, durante a Guerra do Líbano, seu uso atingiu 36.700 "soldados virtuais" com o conflito em Gaza. A meta: 100 mil participantes.

Lobby 2.0

O internauta disposto a fazer parte do arrastão cibernético precisa baixar um programa no site Giyus.org, que se apresenta como uma "coalizão de organizações pró-Israel trabalhando juntas para ajudar a comunidade judaica a fazer suas opiniões serem ouvidas de maneira efetiva".

Instalada a plataforma, aparecem no computador alertas em tempo real sobre notícias, enquetes, artigos, vídeos ou blogs que estejam com visões "a favor ou contra" a comunidade. Lembram os avisos de novas mensagens do comunicador instantâneo MSN. O internauta é convidado, a partir daí, a "agir por Israel" --enchendo os alvos de críticas, elogios ou votos.

Com poucos cliques (e sem dominar o idioma da página em questão), é possível influenciar uma pesquisa no site do Yahoo! ou mandar uma notícia sobre mísseis palestinos para a ONU, entre outros. O programa oferece no próprio navegador um formulário completo de "ação" já preenchido, com endereços dos destinatários e conteúdo padrão a ser enviado: o internauta sequer precisa abrir sua conta de e-mail ou clicar em "enviar".

Redes sociais e sites colaborativos, como Facebook e YouTube, também estão na mira do software. Esse tipo de estratégia, que recebeu o apoio do Ministério das Relações Exteriores de Israel, já forçou o site da BBC a tirar uma enquete do ar.

Desde o início da invasão a Gaza, dezenas de comunidades e sites foram "pichados", invadidos ou derrubados, tanto por piratas virtuais palestinos quanto israelenses. O que se destaca neste caso, no entanto, é o modo de atuação do programa, que institucionaliza a manipulação de informação de forma coordenada e colaborativa.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Trabalho escravo contemporâneo no Brasil


Trabalho Escravo contemporâneo no Brasil.
Os organizadores são: Gelba Cavalcante de Cerqueira, Ricardo Rezende Figueira, Adonia Antunes Prado, Célia Maria Leite Costa.
É uma publicaão da Editora UFRJ


Para conhecer melhor a situação do trabalho escravo ver:

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A todos que tem na terra o seu lugar como lugar de todos

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, entre 1971 e 2007, ocorreram:

819 mortes em conflitos de terra.

Em 568 casos, nem sequer houve apuração por parte das autoridades.

02 chacinas sem apuração (Conceição do Araguaia e Xinguará)

Apenas 92 casos resultaram em processo.

Somente 22 foram julgados.

06 mandantes foram condenados.

Nenhum está detido.

Bida acaba de ser absolvido de ser o mandante da morte de Dorothy Stang.

Os assentados (desenvolvendo uma produção sustentável, integrada à floresta) da área em que a irmã Dorothy atuava, continuam a sofrer a pressão de pecuaristas e madeireiros.